Quem foi Nero e a perseguição de Nero aos cristãos
Quem foi Nero?
Nero foi um imperador romano do
ano de 54 a 68 da era cristã. Até hoje é uma das figuras históricas mais
polêmicas de todos os tempos. Seu nome completo era Nero Cláudio Augusto
Germânico. Nasceu na cidade de Anzio (na atual Itália) no dia 15 de
dezembro de 37. No ano de 55, Nero matou o filho do ex-imperador Cláudio. Em
59, ordenou o assassinato de sua mãe Agripina. Nero se suicidou em Roma, no dia
6 de junho de 68
O que mais marcou a história de
Nero foi o caso do incêndio que destruiu parte da cidade de Roma, no ano de 64.
Porém, de acordo com alguns historiadores, não é certa a responsabilidade de
Nero pelo incidente. O fato é que Nero culpou e ordenou perseguição aos
cristãos, acusados por ele de serem os responsáveis pelo incêndio. Muitos foram
capturados e jogados no Coliseu para serem devorados pelas feras.
Nero e a perseguição aos cristãos
As ruínas da cidade incendiada
ainda fumegavam nos montes Palatino e Esquilino, quando Nero concebeu a idéia
de satisfazer a raiva do povo com o sangue dos cristãos. Esse monstro, cujo
nome é associado a tudo o que é cruel e impiedoso, foi o primeiro imperador
romano a decretar a perseguição aos inofensivos servos de Deus.
O édito foi emitido; o clamor, em
toda parte, era o extermínio do cristianismo.
Todo o mundo pagão armou-se
contra ele. Mal fora promulgado o terrível decreto, e as pessoas, como que
possuídas por demônios, lançaram-se em fúria desumana contra os inocentes e
indefesos seguidores do Crucificado. A frenética resolução de desarraigar o
cristianismo começou em Roma e difundiu-se através de cada província e cidade
do Império. Membros da mesma comunidade, e até da mesma família,
converterem-se em delatores e executores uns dos outros.
Em cada cidade e aldeia, foi
concedida licença irrestrita aos magistrados para pilhar, aprisionar, torturar
e destruir os cristãos; e esses oficiais subordinados, por sua vez, delegavam
poder aos lacaios mais cruéis a seu serviço.
"Foi proclamado, além
disso", afirma um mártir citado por Eusébio, "que ninguém deve
experimentar qualquer cuidado ou pena por nós, mas que todos devem pensar e
comportar-se em relação a nós como se não mais fôssemos gente".
Esses horrores não cessaram com
os tiranos que lhes deram início. Por trezentos anos, os poderes do Inferno
continuaram a sua guerra contra a Igreja, com maior ou menor fúria levantando e
caindo, como as ondas do oceano; num momento, desabando com o estrondo e a
espuma dos vagalhões na tempestade, e no outro, calmo e tranqüilo como um lago.
Os escritos de Basílio sobre a
perseguição de Deoclécio dão uma idéia geral do que foram as crueldades e os
horrores daqueles dias:
"As casas dos cristãos eram
deixadas em ruínas; seus bens, pilhados. Seus corpos caiam nas mãos dos ferozes
lictores, que os dilaceravam como bestas selvagens, e arrastavam as matronas
pelos cabelos através das ruas, insensíveis às súplicas por clemência, viessem
elas dos idosos ou daqueles em tenra idade. Os inocentes eram submetidos a
tormentos reservados apenas aos mais vis criminosos; os calabouços eram
lotados com os habitantes dos lares cristãos, que agora jaziam desolados; os
desertos sem caminhos e as cavernas das florestas enchiam-se de fugitivos, cujo
único crime fora a adoração a Jesus Cristo. Nesses dias trevosos, filhos traíam
os pais, e pais acusavam a própria prole; os servos obtinham a propriedade de
seus senhores por denunciá-los, e um irmão buscava o sangue do outro. Nenhuma
reivindicação ou vínculo de humanidade parecia ser reconhecido, tão completa
era a cegueira que a todos acometera, como se fora uma possessão demoníaca.
Além disso, as casas de oração eram profanadas por mãos ímpias; os altares mais
sagrados, derrubados. Nenhuma oblação a Deus era feita; nenhum lugar foi
deixado para os mistérios divinos; era só tribulação, uma escuridão lutuosa
calava todo consolo; o colégio sacerdotal foi disperso; nenhum sínodo ou
concilio pôde reunir-se, por medo da matança que assolava em toda parte; mas os
demônios celebravam suas orgias e poluíam tudo com a fumaça e o sangue de suas
vítimas".
As catacumbas são o último
memorial dessa época terrível; aquelas cavernas lúgubres e as escuras passagens
nas entranhas da terra são o mais precioso registro da Igreja; suas lajes
toscas, com a palma e a coroa, falam de aproximadamente um milhão de mártires.















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